Campanha Outubro Rosa: um convite ao autocuidado

O voluntariado faz parte da minha vida. Desde muito cedo aprendi que, mesmo tendo pouco, dividir é sempre possível. Lembro que queria transformar o voluntariado em algo maior do que uma ação pontual ou corriqueira, como já fazia, doando minhas roupas e sapatos usados. Na adolescência, sentia que, se eu não priorizasse o que me fazia bem, teria uma vida adulta banal. E estava certa: hoje, adulta, percebo que a vida, de forma ampla, tende a se direcionar apenas ao trabalho. Por isso, sustentar o que me faz bem, como o voluntariado, é também um ato de autocuidado. Sempre tive receio de ser aquela pessoa que diz: “não fiz o que gostava e, quando percebi, já era tarde”. Esse medo, de certa forma, é um lembrete de que viver com sentido e propósito exige dedicação, mas também traz grandes recompensas.
Foi com esse incentivo que procurei uma organização do terceiro setor para colaborar de forma mais permanente. Na época, uma tia-avó era presidenta da Associação de Prevenção do Câncer na Mulher (ASPRECAM), mais conhecida como MAMAMIGA. Ela me apresentou, em 2016, e desde então faço parte. Comecei como acompanhante de uma paciente oncológica, que chamamos de Assistida. Depois, fui assumindo funções administrativas, de marketing e, no último triênio, estou como diretora de recursos humanos, área que se aproxima mais da minha atuação como Psicóloga.
Ao longo desses 10 anos, várias temáticas se tornaram familiares para mim: câncer, prevenção, estigmas sociais e, sobretudo, o autocuidado, que é o ponto central deste texto. Autocuidado é um ato que vai muito além da estética, e compreender isso é essencial. Somos seres integrais, em que cada parte importa: corpo, mente, emoções e relações. Cuidar de si não é egoísmo, mas sim a base para cuidar do outro. O voluntariado me ensinou que só consigo oferecer apoio verdadeiro quando também me permito descansar, nutrir minhas próprias necessidades e reconhecer meus limites.
Na psicologia, o autocuidado é entendido como uma prática fundamental para a saúde mental e emocional. Ele não se resume a momentos de lazer ou estética, mas envolve atitudes conscientes que fortalecem o equilíbrio interno e previnem o adoecimento psíquico. Incorporar o autocuidado na rotina significa reservar tempo para atividades que promovam bem-estar, como manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, cultivar relações saudáveis, estabelecer limites claros no trabalho e nas relações pessoais, além de dedicar momentos à reflexão ou à espiritualidade. Pequenos gestos diários, como dormir bem, organizar pausas durante o dia ou simplesmente respirar com atenção, reafirmam que cuidar de si é tão essencial quanto cuidar do outro. Dessa forma, o autocuidado se torna um pilar para uma vida mais plena, consciente e sustentável.
Uma prática que tenho há anos e quero recomendar, conecta tanto a campanha Outubro Rosa como ao autocuidado é colocar um lembrete mensal na agenda para tocar as mamas e ir criando uma memória tátil. Assim, caso surja alguma alteração, será mais fácil perceber e procurar um médico. Esse é um ato de prevenção!
O voluntariado e o autocuidado caminham juntos: doar-se ao próximo é valioso, mas preservar-se é indispensável. Afinal, uma vida com propósito só se sustenta quando aprendemos que cuidar de nós mesmos é também cuidar do mundo.
O Outubro Rosa é muito mais do que uma campanha de conscientização: é um convite para falarmos abertamente sobre prevenção, cuidado e solidariedade. Quando compartilhamos informações, histórias e experiências, ajudamos a quebrar tabus e a fortalecer a rede de apoio entre mulheres e suas famílias. Incentivar o diálogo sobre o Outubro Rosa é uma forma de multiplicar conhecimento e esperança, lembrando que a detecção precoce salva vidas e que o autocuidado é um ato de responsabilidade e amor próprio. Ao levantar essa bandeira, cada pessoa se torna agente de transformação, inspirando outras a cuidarem de si e a se unirem em prol da saúde.
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